23 de ago de 2010

Cine OLHO VIVO exibirá o Documentário "1912 - O Quebra de Xangô" 24/08 (Terça)


Nesta terça, 24 de Agosto, na Tenda da Cultura Estudantil o Cine OLHO VIVO exibirá o documentário "1912 - O Quebra de Xangô", de Siloé Amorim, que relata a perseguição aos terreiros de religião afroalagoana por motivações políticas e de intolerância religiosa no referido ano. Além  da exibição nós organizamos um mesa para o debate com Joabson Santos (Jornalista/UFAL) responsável pela produção executiva do Documentário e Carlos Martins (Ciêntista Social/UFAL) desenvolve estudos sobre o movimento negro e o estado na atualidade alagoana.


SINOPSE
O documentário 1912 - O Quebra de Xangô, do antropólogo Siolé Amorim, nos mostra por meios de relatos, sobre tudo de estudiosos da religião afro-braleira, pais e mães-de-santo e de frequentadores, um episódio violento e que marcou profundamente Alagoas naquele período e que ainda traz consequências em nosso cotidiano, quer seja na forma de manifestação religiosa ou cultural. A condução das falas dos entrevistados foi uma preocupação constante na edição do material bruto, que somou mais de 700 horas de gravação; o outros do roteiro premiado no DocTv Alagoas em Cena 2006 o melhor de suas imagens captadas nos terreiros, nas externas e  nas entrevistas feitas em Maceió e em diversos municípios de Alagoas e em Olinda - PE, onde reside o Sr. Ciro Malta, o último filho do ex-governador de Alagoas, Euclides Malta. O manuseio, preocupação e trato com as imagens, comunica o olhar do antropólogo e do fotógrafo que atento aos gestos e sons emitidos nos terreiros, nos set's de filmagem, preocupação esta que fez a última cena ser rodada duas vezes. Ao final é só apagar as luzes e iniciar a exibição e ao acender das mesmas os debates poderão ser criados em ambientes diversos. 
Joabson Santos (Produtor Executivo)



O QUEBRA
O anoitecer do dia 1o de fevereiro de 1912 encontrou Maceió, capital de alagoas, animada com os preparativos dos estejos de momo.Os eventos políticos e sociais dos últimos meses haviam transformado a capital do estado. Desde a deserção dos praças da força pública no mês de janeiro, o aumento da violência contra as repartições públicas e das personalidades políticas alinhadas com o mandato anterior e a fuga do governador Euclides Malta para Recife. 
A aglomeração e balburdias não eram estranhas, com as proximidades do carnaval, a Rua dos Sopapos no  311, no bairro da Levada, residência do Sr Manuel Luiz da Paz, sede da liga dos republicanos combatentes fundada no mês de dezembro de 1911 e onde eram realizados os ensaios do tradicional Clube dos Morcegos, presença constante nos carnavais de Maceió desde o início daquele século. 
Porém naquele dia o motivo era menos festivo, após a aglomeração na sede da liga a turba partiu para o terreiro do candomblé de Chico Foguinho, cujos seguidores foram surpreendidos no auge da cerimônia religiosa a Oxum, deusas das água, alguns deles ainda com o santo na cabeça. A multidão enfurecida entrou porta adentro quebrando tudo que encontrava pela frente, fazendo jus àdeterminação do líder, Manuel Luiz da Paz, e batendo nos filhos de santo que se demoraram na fuga.  
A Tia Marcellina havia ofertado a coroa de Dada, espírito da justiça, aos mais importantes babalorixás de alagoas. Ela havia recebido a coroa ainda na África, local de seu nascimento. A Turba, capitaneada por seu líder, facilmente identificado por suas muletas, seguiu ainda para os demais terreiros e casas de culto afro de Maceió. O ataque continuou por toda Alagoas nos dias seguintes.  No dia 02 de fevereiro de 1912, as autoridades locais empossadas em Alagoas autorizam a invasão e destruição dos terreiros de religiões afro no estado, num violento episodio de perseguição aos pais e mães de santo que entrou para a história. Tia Marcellina morreu logo após o episódio. 
Os poucos terrereiros Nagôs, Minas e Ioruba sobreviventes passaram a cultuar em silêncio, sem tambores e sem oferendas públicas.

SERVIÇO 
Cine OLHO VIVO
Filme: Documetário 1912 - O Quebra de Xangô - Siloé Amorim
Local: Tenda da Cultura Estudantil
Data: 24/08 (Terça)
Horário: 16:45
Ingressos: GRATUITO
Mais informações: (82) 8869-9182 CADU Ávila 

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